terça-feira, 27 de setembro de 2011

Pausa para Férias!!

Mais uma vez uma loooonga pausa. O primeiro motivo foi a visita de duas pessoas muito especiais, minha querida Tia Nadir e seu esposo Nero. Passeamos por Berlin, Koblens e, claro, Munique, cidade onde eu moro. Foram dias muitos agradáveis e restou pouco tempo para o computador.
Depois que minhas visitas foram embora eu e meu marido pegamos um avião em direção à Palma de Mallorca, uma ilha da Espanha. Uma fugidinha da Alemanha para aproveitarmos os últimos dias de verão da Europa. Meus amigos no Brasil acharam muito fino este meu estilo de vida. Mas eu confesso aqui: Mallorca é para os alemães o que Guarapari é para os Mineiros... sem exagero. Da Alemanha saem diariamente várias grupos de turistas rumo à ilha, onde a maioria das pessoas também fala alemão. Outro país que também está bem representado aqui é a Holanda.
Nós estamos hospedados em um hotel ao norte da ilha, numa região relativamente tranquila, mais voltada para o turismo de famílias. Ao sul estão as praias mais famosas por suas festas, onde o “bicho pega” mesmo. Outra ilha espanhola conhecida internacionalmente por suas festas é Ibiza, esta também é famosa no Brasil. A viagem para Ibiza é um pouco mais cara, porém o público é mais jovem e variado do que aqui em Mallorca.
Para Brasileiros, uma viagem para curtir praias da Europa não é muito usual, afinal, não nos faltam praias no Brasil, sejam elas tranquilas ou agitadas. Mas se alguém tiver interesse em ter uma experiência diferente, eu aconselho uma temporada em Ibiza, principalmente para jovens (como eu) entre 20 e 30 anos. É uma ótima oportunidade para conhecer pessoas do mundo inteiro e a diversão é garantida.
Ahora, vamos a la playa!!!




segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Nem tudo é “selbstverständlich”!

Minha intenção era atualizar o Blog no fim de semana, mas ocorreu o mais esperado por toda a população alemã: o sol apareceu!
Estamos praticamente no final do verão, o outono chega oficialmente no dia 22 ou 23 de setembro por aqui. Isso significa que devemos curtir ao máximo todos os dias de sol e calor  que ainda temos.
Eu vou aproveitar este tema para apresentar à vocês uma palavra muito interessante em alemão: „selbstverständlich“. (Não se assutem, com treino a gente aprende a pronunciá-la direitinho.) No meu dicionário a tradução está como “natural”, “indiscutível” ou então “evidente”. Traduzindo ao pé da letra seria algo que "explica por si só" – Samba no Carnaval é selbstverständlich.
Mas qual a relação desta palavra com o tema? Bem, sol e calor na Alemanha não são “selbstvertändlich” (evidente e natural), como no Brasil. A primeira vez que eu visitei Munique foi exatamente nesta época do ano, em setembro de 2003, e eu me lembro de ouvir os Alemães dizerem: „Hoje tem sol, vamos fazer alguma coisa lá fora“. Como, para mim, o sol era „selbstverständlich“, eu queria mesmo era curtir preguiça em frente à TV. Hoje eu entendo extamente o que isso quer dizer e, como os alemães, eu também largo todas as obrigações para curtir um dia de sol no fim do verão. Eu acostumo dizer que minha vida aqui é lutar por um lugarzinho ao sol, no sentido literal e figurado da expressão.
O mais interessante disso tudo é que o fato de algo ser ou não ser lógico e evidente pode ser extendido para várias áreas da vida, quando se está em contato com outra cultura. Existem coisas que são evidentes e lógicas para mim, mas que para um chinês ou libanês podem parecer completamente irracionais.
No estudo sobre cultura, falamos muito sobre a importância de diferenciar observação e interpretação.  O que eu observo pode ser interpretado por mim e por uma pessoa de outra cultura de maneira completamente diferente. Eu confeço que achei os alemães meio malucos e muito metódicos com esta de “tem sol então vamos sair de casa” e provavelmente eles me acharam preguiçosa por não querer sair, já que o dia estava tão lindo.
Uma boa maneira de lidar com culturas diferentes é abrir espaço para novas interpretações.  É procurar entender o comportamento do outro e suas motivações, mas mudando de perspectiva e tentando entender o que o levou ou leva à se comportar de uma determinada maneira.
Pensando bem, este texto não se aplica somente à cultura, estar aberto à novas interpretações pode ser muito útil no dia-a-dia de qualquer pessoa. Afinal, não somos iguais e nem tudo é “selbstverständlich”!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Entrar em contato depois?

Olá Pessoal,

estou aqui hoje para falar de um tema que certamente vai aparecer várias vezes por aqui: minha tese de mestrado.
Depois de um longo e tenebroso inverno (ou melhor, verão aqui na Alemanha) consegui definir o tema da tese. Vou pesquisar sobre a necessidade de treinamento intercultural para brasileiros que vêm trabalhar na Alemanha, por um período médio de 2 à 4 anos.
Mas enfim, semana passada comecei a entrar em contato com algumas pessoas que eu poderia entrevistar e cheguei até o Lucas, um brasileiro que está aqui a trabalho. Em nossa conversa informal por telefone ele disse que recebeu um treinamento cultural no Brasil sim, que as pessoas foram muito simpáticas e que deixaram contato, caso ele precisasse de algo depois.
No momento em que ele me falou isso, acho que eu mesma tive um choque cultural. Como assim? Entrar em contato depois?..
Minha formação em cultura foi, ou melhor, está sendo aqui na Alemanha, tudo muito metódico. Agora eu dou umas aulas na Faculdade Técnica de Munique e o meu relacionamento com os alunos é bem formal, exatamente como eles estão acostumados. Dar o e-mail só se for para trabalhos da faculdade, telefone... ahhh só em caso de urgência mesmo.
Mas achei interessante, é exatamente sobre estas sutilezas que pretendo escrever aqui. A princípio parece tudo muito fácil, mas o pior é que é tão fácil que ninguém percebe. E quando você vê o problema já está lá. Um pensa que o outro é grosso, o outro pensa que o primeiro é folgado e no fundo ninguém tinha a intensão de ofender ninguém.

Fica aqui minha primeira dica sobre cultura!

Um abraço
Nilmara

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Nacionalidade: o mundo

Olá Pessoal,

resolvi inaugurar o Blog "Cultura em Foco" divulgando um texto que escrevi para um Site alemão em abril do ano passado. Na época fazia 5 anos que estava morando em Munique, hoje são 6 anos e meio. Não gosto de textos traduzidos, ficam meio fragmentados e pouco originais, mas acho que este texto fala um pouco sobre quem eu sou e o que me leva à me interessar pelo tema cultura.
Para quem tiver interesse em ler o texto em alemão o link é: http://uni.de/redaktion/Welt

Um abraço
Nilmara

Nacionalidade: o mundo
Há cinco anos eu moro na Alemanha. Na verdade, não foi muito difícil abandonar meu País, talvez pelo fato de eu não saber exatamente o que estava por vir. Hoje eu considero estes cinco anos como os mais difíceis e mais interessantes da minha vida.
O meu primeiro desafio foi recomeçar do zero. Tinha 26 anos, era formada, já tinha uns 3 anos de experiência de trabalho e uma bela carreira pela frente. Deixei tudo isso para novamente aprender a ler e escrever. Mas o mais complicado foi, e ainda é, entender como este País funciona e como pensam as pessoas que nasceram e cresceram neste mundo.
O tema cultura sempre me interessou e, de repente, tomei consciência de que muito daquilo que eu faço não é necessariamente normal e sim uma consequência ou influência da cultura na qual eu fui criada. Minha maneira de pensar, minhas ações e reações são frutos das informações que obtive desde meus primeiros anos de vida. Não estou falando apenas do temperamento alegre dos brasileiros, mas sim de diferenças sutis, porém muito marcantes.

Um exemplo disso é a herança cultural que se manifesta através da maneira de se comunicar. Os alemães tendem à “Low Context Culture”, ou seja, cultura de pouco contexto. (ver mais em “Dimensões Culturais”, dos autores Hall e Hofstede). Resumidamente, trata-se do fato de os alemães precisarem de muito menos informações e pouca relação com o interlocutor para que a comunicação seja efetiva. Ao contrário, pessoas de uma “High Context Culture”, cultura de contexto intenso, como os brasileiros e os chineses, se comunicam de uma maneira completamente diferente e gastam muito mais tempo e energia em conhecer a pessoa com quem se está falando.
Isto é o que eu tenho a oportunidade de vivenciar diariamente. Os alemães são bastante diretos na maneira de lidar com conflitos, enquanto brasileiros tentam evitar conflitos ou solucionam os problemas de forma mais indireta. Na verdade, não existe certo ou errado, quem tem a intenção de viver em contato com uma outra cultura tem que aprender a lidar com as diferenças.
Quanto mais eu me ocupo com o tema cultura, menos eu me sinto ligada a uma única cultura. Se aterrizo no aeroporto do Rio de Janeiro, pergunto-me porque tudo é tão devagar e confuso. Ao desembarcar no aeroporto de Munique, sinto falta da simpatia dos brasileiros. Mas observar esta situação assim por fora por uma “Metaebene” me ajuda a conviver melhor com tudo isso.
Hoje eu não me sinto mais como uma típica brasileira e muito menos me tornei uma alemã, minha nacionalidade agora é o mundo.